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Ciência – Europa e Japão vão lançar sonda para explorar Mercúrio

As duas sondas da missão BepiColombo vão viajar durante sete anos para chegar a Mercúrio (ESA/CNES/Arianespace/Flickr)

Missão juntou a Agência Espacial Europeia e a Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial para entender mais sobre o menor planeta do Sistema Solar

 

Europa e Japão vão lançar na noite desta sexta (19), da base de Kourou, na Guiana Francesa, duas sondas espaciais para tentar desvendar os mistérios do planeta Mercúrio.

As duas sondas da missão BepiColombo, a bordo do foguete-lançador europeu Ariane 5, vão viajar durante sete anos e percorrer 9 bilhões de quilômetros antes de alcançar o planeta.

“Para entender a formação da Terra”, é preciso esclarecer primeiro “a formação dos planetas rochosos (Mercúrio, Vênus, Terra e Marte) em seu conjunto. Mas Mercúrio difere de seus similares e não sabemos por que”, diz Alain Doressoundiram, astrônomo do Observatório de Paris.

Para estudar esses mistérios, 16 instrumentos viajarão a bordo das sondas, uma da Agência Espacial Europeia (ESA) e outra da Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (Jaxa). O lançamento está previsto para esta sexta-feira às 22h45, hora local e de Brasília.

Um planeta “estranhamento pequeno”

Com diâmetro de 4.879 quilômetros (a Terra tem 12.756), Mercúrio é o menor planeta do Sistema Solar. Para Pierre Bousquet, chefe do projeto da contribuição francesa à missão BepiColombo, Mercúrio é “estranhamente” pequeno.

Essa particularidade sugere que, em sua juventude, Mercúrio sofreu o impacto de um grande objeto. “Há uma enorme cratera visível em sua superfície que poderia ser a cicatriz desse cataclismo”, segundo o engenheiro. A missão Bepicolombo vai tentar estudá-la.

Essa hipótese permitiria explicar também o tamanho incomumente grande do núcleo de Mercúrio (55% da massa total do planeta contra 30% no caso da Terra).

Campo magnético “surpreendente”

Com exceção da Terra, Mercúrio é o único planeta telúrico que tem um campo magnético, gerado por um núcleo líquido. Segundo o tamanho do núcleo de Mercúrio, o planeta teria que ter esfriado com o passar do tempo e solidificado, como Marte.

Especialistas têm muitas teorias para tentar entender essa possível anomalia, como a presença de um elemento no núcleo que impediria que o planeta esfriasse. Estudando seu campo de gravidade, as duas sondas poderiam definir a composição e a estrutura do planeta.

Resta explicar por que o núcleo do planeta é diferente do resto dos planetas rochosos, apesar de terem se formado praticamente no mesmo lugar.

Um planeta telúrico ou planeta sólido é um planeta rochoso. Os planetas telúricos do Sistema Solar são Mercúrio, Vênus, Terra e Marte.

Gelo a 400 °C

Em Mercúrio, o calor é extremo durante o dia (430°C) e durante a noite a temperatura cai de forma abrupta (- 180°C).

Apesar do calor durante o dia, várias missões anteriores revelaram a presença de gelo no fundo das crateras polares.

Os pesquisadores acreditam que esse gelo foi se acumulando ao longo de bombardeios de cometas e teria escapado dos raios ultravioleta do sol.

“É algo que suspeitamos, mas não temos uma prova direta. BepiColombo vai verificar com suas câmeras infravermelhas”, diz o astrônomo Alain Doressoundiram.

“Se for confirmada a presença de gelo, teria também uma amostra de água e alguns traços datariam praticamente do início do Sistema Solar”, diz Pierre Bousquet.

Análise dos ventos solares

Mercúrio é o planeta mais próximo do sol, a 58 milhões de quilômetros (a Terra dista 149,6 milhões de quilômetros de nossa estrela). Por isso, “recebe diretamente os ventos solares”, um fluxo constante de partículas ionizadas que se deslocam a mais de 500 quilômetros por segundo, segundo Bousquet.

Os pesquisadores poderiam estudar o impacto desses ventos – 10 vezes mais fortes que na Terra – sobre o campo magnético do planeta e também explicar como eles afetam a superfície a longo prazo.

Os cientistas temem que na Terra se registre uma tempestade solar potente, capaz de afetar a rede elétrica durante meses ou até anos em algumas regiões.

VEJA (Com AFP)

 

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