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Indígena de Mato Grosso abre conferência na Alemanha e fala sobre impactos de hidrelétricas

Marta Tipuici, da etnia Manoki, falou (quinta-feira 9/5) sobre os impactos de hidrelétricas sofrido pelos povos indígenas durante o evento “Hidrelétrica, mudança climática e os objetivos de desenvolvimento sustentável”, que acontece em Berlim, Alemanha.

 

Ela representa a Rede Juruena Vivo (RJV), que busca por alternativas de desenvolvimento na sub-bacia do Juruena (a 909 km de Cuiabá).

“São as hidrelétricas, em especial as micro e pequenas usinas espalhadas pela bacia do Juruena, que sustentam a produção de muitas empresas produtoras de grãos para exportação. Nossos parceiros na Europa têm um papel fundamental em alertar compradores e investidores sobre os impactos sofridos pelos povos indígenas”, declarou a jovem indígena durante sua apresentação no evento.

De acordo com a Operação Amazônia Nativa (OAN), um levantamento aponta que há 138 usinas na bacia do Juruena, sendo 32 em operação, 10 em construção e 96 em fase de planejamento.

O evento conta com a participação de representantes do Brasil, Colômbia, Myanmar, cientistas, representantes da indústria e organizações não governamentais (ONGs) alemãs. “Este é um espaço de diálogo com outros movimentos de países diferentes, e que trazem experiências importantes nesse cenário de retirada de direitos e mudanças climáticas”, afirmou Marta Tipuici.

A conferência é feita pela ONG Gegenstromung e coloca em discussão os efeitos socioeconômicos e ambientais das hidrelétricas. O evento pretende endereçar questões e alertas para o Congresso Mundial de Hidrelétricas, que acontecerá em Paris de 14 a 16 de maio.

Heike Drillish, quem organiza o evento, explica que apesar dos impactos das hidrelétricas serem conhecidos desde os anos 80, na Europa muitas pessoas ainda acreditam que as usinas hidrelétricas são uma opção limpa para geração de energia no contexto das mudanças climáticas.

Olhar Direto | José Lucas Salvani

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