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Site de MT destaca festival de praia de Barra do Garças e Araguaia

Um excelente reportagem foi publicada no site Boa Mídia destacando o potencial turístico do Vale do Araguaia e claro e o sucesso obtido com o turismo pela cidade de Barra do Garças

 

Temporada de praia é a frase que define o período das águas baixas no lendário Araguaia, na região central do Brasil. A estiagem que começa em abril aos poucos diminui o volume azulado do grande rio. Em julho as margens revelam incontáveis praias de areia fina e infinitamente branca, em Goiás, na barranca da direita, e em Mato Grosso, do outro lado.

A Temporada acontece em julho, mês de férias e de intensa movimentação turística no Brasil, e se estende a outubro. Seu cenário é o mesmo nas águas e nas praias – muito parecidas nos municípios de Torixoréu, Pontal do Araguaia, Barra do Garças, Araguaiana, Cocalinho, São Félix do Araguaia, Luciara e Santa Terezinha.

A diferença fica por conta da infraestrutura das cidades. A melhor dica ao turista que vai ao Araguaia em busca de praia é levar barraca de camping; a exceção fica por conta de Barra do Garças com suas vizinhas: Pontal do Araguaia e a goiana Aragarças – que formam uma conurbação com 87.200 habitantes. Em Barra a hotelaria é considerada boa.

As águas do rio são mornas e não sofrem com a agressão ambiental tão comum do Brasil. Na região a fiscalização ambiental nunca botou placa com os dizeres, Praia imprópria para banho.

A mata ciliar ao Araguaia é exuberante. Pássaros de todos os tamanhos e cores dão um toque especial; o atrevido martim-pescador faz sobrevoos sobre os barcos e se exibe num bailado alucinante ao mergulhar em busca de pequenos peixes.

Capivaras costumam apresentar espetáculo à parte subindo ou descendo o barranco ribeirinho. Botos surgem aqui e ali com seu balé de deixar os bailarinos do Tchaikovsky de queixos caídos. Cardumes nadam em desespero fugindo de predadores naturais como parte do ciclo da vida na natureza.

                                                 Em Luciara a lua beija o rio diante da praia e da mata

A temperatura do período da Temporada é quente e a umidade relativa do ar não é afetada pela adversidade climática do verão amazônico, pois até nisso o rio é generoso e, em sua cumplicidade com o ar, manda lufadas de vento ameno sobre os corpos quase nus em exposição ao sol nas areias.

Nas barracas de praia predomina a culinária goiana com pratos à base de peixe, mas com alternativa ao trivial carregado no pequi, palmito gueroba, milho cozido, galinha caipira. Pra quem prefere lanche rápido, não falta moqueca, isca de lambari, pamonha doce ou salgada, curau e milho assado na brasa. Isso, sem falar na boa talagada da branquinha pura e com rosário, destilada em alambique de capelo.

No rio e em suas margens se faz de tudo, ou quase tudo. Natação, passeios de barco ou em jet sky, voos em ultraleves de aluguel, pescaria, futebol de praia, safári fotográfico, futevôlei e, claro, namorar, ou alguém é tão louco a ponto de imaginar que a beleza do Araguaia não funciona também como elixir libidinoso?

O Araguaia é ótimo ao longo do dia e durante a noite também. As cidades ribeirinhas promovem shows artísticos com bons nomes da música nacional e grupos regionais. Quando o sol se põe é o momento do lual, que tem hora pra começar – ao escurecer – e pra terminar – quando a alvorada com sua beleza engole outra beleza, a da lua.

Lual é música cantada ou instrumental, ao pé da fogueira, sob a areia com o rio passando ao lado em murmúrio e o barulho dos peixes pulando n’água e a lua por testemunha silenciosa pra não abafar os acordes dos violões, a harmonia das sanfonas, os tinidos do triângulo, os ritmos dos pandeiros, os sons dos saxofones e as vozes da brasilidade apaixonada.

Em Cocalinho a Temporada tem um ingrediente bem apimentado. É o esporte aquático radical feito sobre quatro rodas. Uma oficina na cidade monta geringonças ao estilo das gaiolas da competição cross rodoviária. Esse veículo artesanal desafia as águas do Araguaia em sua parte mais rasa e faz muito sucesso entre os turistas.

Em São Félix do Araguaia começa a maior ilha fluvial do mundo: a Ilha do Bananal, com quase dois milhões de hectares e que se estende até a tríplice divisa de Mato Grosso, Tocantins e Pará.

Bananal nasce no encontro das águas do rio das Mortes com o Araguaia. Nesse ponto o Araguaia se divide em dois: o rio que corre pela direita ganhou o nome de Javaés e o da esquerda preservou a denominação. Bananal é território imemorial de índios araguaianos.

Aragarças, do lado goiano, não pode ser excluída do roteiro. Afinal, a Praia Quarto Crescente – a mais famosa e movimentada do Araguaia – fica naquela cidade separada de Barra do Garças pelo Araguaia.

De Aragarças se vê um cenário de cartão-postal de Barra do Garças, na parte acidentada daquela cidade ao pé da Serra Azul, perto de seu balneário termal.

O vaivém do turista entre as duas margens do Araguaia não é complicado pelo fuso horário. Mato Grosso tem uma hora a menos em relação a Brasília, mas no Araguaia essa regra não vale. Lá, se diz que, o horário aqui é o de Goiânia.

Barra do Garças é a principal cidade turística de Mato Grosso. Além das belezas do Araguaia o município tem um imponente balneário de águas quentes na área urbana.

No entorno da cidade existem cachoeiras, trilhas, um parque florestal e até um discoporto.

A temperatura das águas nas piscinas do balneário termal oscila entre 36º e 42ºcentígrados e durante a semana funciona em horário comercial, mas não atende às segundas-feiras. Aos domingos o funcionamento é dilatado. Há armários com chaves para se guardar objetos.

Lanchonete e restaurante garantem alimentação e bebidas. Para a criançada existe um play ground e para os adeptos de exercícios físicos no local funciona gratuitamente uma academia sob a copa das árvores. Há estacionamento externo privado e flanelinhas olham o carro do turista, à espera de trocados. Ônibus urbanos fazem linha regular do centro às águas quentes.

O turismo místico também é destaque na Barra, que é parcialmente circundada pela Serra Azul, formadora da Serra do Roncador, sob a qual viveria uma civilização e que levou o aventureiro inglês coronel Percy Harrison Fawcett a embrenhar-se pela selva de Roncador e literalmente sumir do mapa em 1925, acompanhado por seu filho Jack e o amigo desse, Raillegh Rimmell. Fawcett acreditava que encontraria sob Roncador a cidade “Z” onde viveria tal civilização. Até hoje não se sabe se o oficial inglês e seus acompanhantes foram capturados pelos moradores de Z, se foram abduzidos por disco voador ou se viraram banquete canibalizado de índios do Parque Indígena do Xingu.

Do desaparecimento de Fawcett nasceu o barra-garcense mais conhecido no mundo: Indiana Jones, que brotou da genialidade de Steven Spielberg e Jorge Lucas, baseado no aventureiro Fawcett e personificado nas telas por Harrison Ford.

O mistério sobre Fawcett levou Valdon Varjão – que foi a figura mais conhecida da Barra e o primeiro senador negro no Brasil – a criar um discoporto no topo da Serra Azul, ao lado da cidade, na expectativa de receber naves trazendo esverdeados marcianos. Próximo ao discoporto há um mirante aos pés de uma imagem do Cristo Redentor, de onde se avista três cidades: Barra, Pontal do Araguaia e Aragarças. Além delas também se vê o Araguaia e seu afluente Garças.

Valdon criou o discoporto quando foi vereador e sua carreira política incluiu mandatos de deputado estadual, prefeito e de senador – o primeiro senador negro do Brasil. O projeto do discoporto levou a chancela do mago dos efeitos especiais da Rede Globo, Hans Donner.

SERVIÇO – Barra é banhada pelo rio Araguaia, que ali recebe pela esquerda as águas do rio Garças. O limite com Pontal é o rio Garças e a divisa com Aragarças. As rodovias federais pavimentadas BR-070 e BR-158 cruzam a área urbana enquanto a população das três cidades sonham com a conclusão de um anel viário, cuja obra se arrasta há anos.

A população local teima com convicção que o centro geodésico do Brasil é Barra. A mesma teimosia se vê em Água Boa, 220 quilômetros ao norte.

Barra tem aeroporto com pista pavimentada a balizamento para operações noturnas. Por rodovia dista 500 quilômetros de Cuiabá (BR-070/364 e rodovias estaduais) via Primavera do Leste e Chapada dos Guimarães. A relação maior da cidade é com Goiânia, distante 400 quilômetros por rodovia pavimentada.
 Boamidia | Fotos: José Medeiros  – Marcos Bergamaso

 

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