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TECNOLOGIA – Governo avança para dar fim a tomada a três pinos

Polêmica: modelo com três pinos foi adotado em 2011, mas sofre com críticas desde então (Divulgação/Divulgação)

Obrigatório desde 2011, uso do padrão para a tomada voltou a ser tema no Planalto

 

São Paulo – A tomada de três pinos está com os dias contados no Brasil. Pelo menos no que depender da vontade do presidente Jair Bolsonaro.

governo brasileiro está se articulando para dar um fim ao padrão adotado de forma obrigatória desde 2011 e que sofre com críticas por ser diferente de modelos usados na maioria dos países.

Segundo o jornal Valor Econômico, o assunto voltou à pauta no Planalto após a divulgação recente dos resultados econômicos brasileiros. Com números abaixo do esperado, o Governo entende que este seria um bom momento para revogar o uso compulsório da tomada de três pinos. “A sociedade brasileira, com toda legitimidade rejeitou a tomada de três pinos”, afirmou o secretário especial de Produtividade e Competitividade, Carlos Alexandre da Costa.

Colocar esse plano em prática, contudo, não será uma missão das mais fáceis em Brasília. A mudança é vista com resistência por órgãos técnicos. À revista Época, o diretor técnico da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), Guilherme Tolstoy, classifica a possibilidade de alteração como um “retrocesso”. Segundo ele, não há possibilidade de ser eletrocutado com a tomada de três pinos. “Seria caótico mudar isso”, disse.

Tolstoy defende ainda que a mudança traria um impacto econômico contraproducente ao País. “Quantas construções foram feitas no Brasil nos últimos oito anos com esse modelo de tomada? Todos os fabricantes de eletrodomésticos e produtos elétricos estão fabricando com o novo modelo de plugue”, disse.

Não é a visão do Governo. Para Costa, o plugue triplo dificulta a entrada de equipamentos elétricos importados no País e encarece a adaptação. O secretário ainda afirma que apenas 20% das tomadas antigas, com dois pinos, foram trocadas até agora.

Para resolver o impasse, segundo o Valor, a expectativa em Brasília é conseguir o apoio de um aliado de peso na discussão, o Inmetro. A presidente do órgão, Ângela Flores Furtado, já assinou uma nota técnica que ratifica a segurança do padrão brasileiro, mas também considerou que seria “tecnicamente viável a disponibilidade de outro padrão internacional de tomada”.

O desgosto do governo de Bolsonaro pela tomada de três pinos não é recente. Em abril, após o mandatário anunciar o fim do horário de verão no Brasil – que estava em vigor desde 1931 –, Filipe Garcia Martins, assessor internacional do Planalto, usou o Twitter para defender outras medidas que, em sua visão, precisavam ser modificadas. “Temos que nos livrar da tomada de três pinos, das urnas eletrônicas inauditáveis e do acordo ortográfico”, escreveu Martins.

EXAME | Por Rodrigo Loureiro

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